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    Um pouco sobre o conceito de fotografia aplicado a animes

    Um diretor de fotografia controla iluminação, enquadramento, cor, linhas e objetos visuais em cena. Fotografia depende do contexto, sensibilidade e intencionalidade do fotografo. Uma boa composição fotográfica é o que difere uma imagem profissional de uma amadora.

    Um dos exemplos de como pode notar-se a fotografia e como pode influenciar a narrativa são as cores:

    Yoichi Kuroda, diretor de fotografia de Evangelion (também de Perfect Blue), opta por usar um azul claro monocromático a fim de criar uma atmosfera calma, reforçando a frieza e apatia que a cena contém. Ao mesmo tempo que posiciona o horizonte de forma inclinada para reforçar desestabilidade (o que não vem ao caso agora).




    Já aqui em Houseki no Kuni, há um forte apelo estético. Além do senso de profundidade dado ao forte contraste entre luz e sombra, a cor dos cristais molda-se a iluminação que preenche o cenário.
     
    Outro exemplo de recurso narrativo é o uso dos ângulos em cena: Temos o um ângulo normal, o plongee e o contra plongee, zenital e contra zenital.

    Ângulo normal

    Plongee

    Contra-Plongee
    O contra-plongee enquadra o plano de baixo para cima, comumente destaca o senso autoridade e poder. Já o plongee enquadra o plano de cima para baixo, normalmente evidência diminuição ou fragilidade.

    Zenital




    Contra-zenital
    Zenital (ou Zênite) em termos astronômicos designa o ponto imaginário traçado a partir da cabeça do observador até o plano celeste. Simbolicamente, como se fosse o ponto de vista de um Deus que observa dos céus, o contra-zenital representa o ponto de vista de um morto em seu caixão.

    Normalmente, do ponto de vista zenital o espectador observa os personagens com fragilidade e seus conflitos tornam-se mínimos. Já no contra-zenital os conflitos ganham proporção e os personagens se impõem.

    Além da altura do ângulo, há também o lado do ângulo que são divididos em ângulo frontal, perfil, 3/4 e de nuca. O frontal aborda o personagem de frente na reta do nariz, 3/4 aborda o personagem um pouco ao lado do nariz, perfil totalmente ao lado, e o de nuca nas costas do personagem.

    Enfim abordando os tipos de planos, que são vários, os mais comuns se dividem em: plano geral, plano conjunto, plano médio, plano americano, meio primeiro plano, primeiro plano, primeiríssimo plano e plano detalhe. Já que são muitos, irei exemplificar 3 tipos de planos:

    Plano geral






    Primeiríssimo plano (ou big close up)


    Plano detalhe
    Plano geral comumente tem como objetivo trazer noção de espaço para a cena, também cria uma distancia intima entre o personagem e espectador. Primeiríssimo plano contém um forte apelo dramático e intimo, é um plano que foca na expressão do personagem. O plano detalhe possui como função enfatizar algo especifico, seja alguma expressão do personagem, algum objeto ou ação. (Os planos citados que não exemplifiquei, estão entre o geral e primeiríssimo.)

    Nesse caso de Oreigaru, o plano detalhe traz a atenção para o fato de Hachiman está levantando da cadeira.

    Sobre as linhas de uma composição fotográfica, trata-se de como posicionar os objetos em cena a fim de influenciar o como o espectador vê a imagem.

    A regra mais básica da composição de linhas, é a chamada regra dos terços.

    Plano









    Contra plano
    Frequentemente aplicada a diálogos em plano e contra plano, a regra dos terços posiciona o objeto principal da cena ao ponto de encontro das linhas que dividem o plano em terços verticais e horizontais, que segundo a regra, são pontos que chama mais atenção ao olho humano. É importante nesse arranjo que o personagem esteja olhando para o lado oposto em que ele está.
















    Outra regra bem popular é da proporção áurea (aquela usada por Da Vinci em Mona Lisa).

    É interessante notar que o olho humano naturalmente segue linhas e se conecta a pontos inconscientemente. Faça o teste, tente olhar para capa desse artigo focando diretamente para o centro sem o olho tender a olhar para Phos (cristal azul).











    Dois exemplos com linhas simétricas que se constroem a partir de um ponto de fuga, criando profundidade além de tracejarem ao ponto de interesse. Em Re Zero as linhas encontram-se no assunto principal, cabeça (ou a falta dela) de Subaru, e em Evangelion, o foco acaba sendo Misato.

    Percebe-se que existe 3 linhas principais para composição, vertical, horizontal e as diagonais.



    Obviamente percebida em horizontes de forma acentuada, linhas horizontais transmitem tranquilidade e estabilidade a imagem.




    Caso quiser transmitir em sua imagem, grandiosidade, altura e impacto, uma boa pedida é o uso de linhas verticais. Nesse caso há uma centralização da imagem, que cria uma divisória bem definida entre lado esquerdo e direito que são proporcionais, gerando a linha vertical.


    Linha diagonais talvez são as que recebem mais destaque em um fotografia, o que não necessariamente fazem elas serem as mais usadas. Eficiente em conduzir os olhos do espectador, muitas vezes são usadas em conduzi-los ao ponto de interesse, também são linhas que criam dinâmica.

    Lembrando que há outras variedades de como compor a foto, como o "S", formas geométricas e linhas curvas etc.

    Caso o objetivo do fotografo for conduzir o espectador ao ponto de interesse, há também como realizar isso usando a paleta de cores, utilizando do contraste dela. Por exemplo, em uma imagem em que a sala inteira use tonalidades de azul claro e o personagem veste uma roupa vermelho forte, é óbvio que o foco acabará voltado para ele.




    Além de gerar profundidade, o contraste de luz e sombra consegue destacar o assunto principal. O que não deixa de também ser um contraste de cores, já que um lado mais escuro obviamente terá tonalidades que serão mais escuras e um mais claro terá cores mais claras.

    A teimosia de descentralizar uma imagem pode criar um espaço negativo indesejado, sem significados, que pode ser decorrente a insistência do fotografo em usar a regra dos terços. Os espaços negativos, porém, quando bem usados, são capazes de transmitir isolamento, afastamento e tensão.







    Esse exemplo de Houseki no Kuni, estabelece-se no momento em que a protagonista sente-se mais distante do seu mundo. Cria-se um imenso espaço negativo aparentemente sem interesse fotográfico , gerando a sensação de isolamento.

    Em Evangelion, a primeira imagem mostrada define um afastamento emocional e pessoal entre os dois personagens. Já a segunda, Rei e Asuka estão em amplo conflito emocional. O espaço negativo determina a tensão presente antes do toque, e configura uma das cenas mais tensas do anime, já que ela se prolonga por um vasto tempo produzindo uma crescente tensão.

    Não só esses exemplos, Evangelion constantemente utiliza esse tipo de método.

    Enfim, criar uma composição fotográfica é ainda muito mais amplo do que disse aqui, tanto que poderia elaborar uma parte 2. Aqui dito como regra, trate na verdade como uma convenção, pois tudo que postula regra na arte já leva consigo varias problemáticas.

    Twitter: @Gabrielxqnasc