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    Recomendação: Samurai Champloo, a busca pelo samurai que cheira girassóis






    Sinopse
    Fuu Kasumi é uma garçonete jovem e desajeitada que passa seus dias trabalhando pacificamente em uma pequena casa de chá. Ou seja, acidentalmente derramar uma bebida em um de seus clientes. Um grupo de samurai a persegue e Fuu chama desesperadamente outro samurai na loja, Mugen, que rapidamente os derrota com sua técnica de luta selvagem. Infelizmente, Mugen decide lutar com o ronin Jin, que é um estilo mais preciso e tradicional de luta de espadas, e o último prova ser um oponente formidável. O único problema é que eles acabam destruindo a loja inteira, bem como matando acidentalmente o filho do magistrado local.

    Por seu crime, os dois samurais são capturados e definidos para serem executados. No entanto, eles são resgatados por Fuu, que contrata a dupla como seus guarda-costas. Embora ela não tenha mais um lugar para voltar, a ex-garçonete deseja encontrar um certo samurai que cheire a girassóis e pede a ajuda do par agora exonerado para fazê-lo. Apesar de inicialmente desaprovar esta ideia, os dois acabaram concordando em ajudar a garota em sua busca; assim, o trio embarca em uma aventura para encontrar este guerreiro misterioso - isto é, se Fuu puder impedir que Mugen e Jin matem um ao outro.

    Análise
    Confesso à princípio que eu não tive uma boa primeira impressão da obra, houveram resistências da minha parte, seja porque era episódica ou porque eu não curtia bastante o estilo narrativo da obra. Portanto, eu fui paciente pegando uns pontos positivos da obra e os negativos também. Observei que o inicio de Samurai Champloo não é magnifico, pode soar até forçado e previsível em alguns momentos, como quando a Fuu teve seu bar ou loja herdado da mãe destruído, porém não houve uma emoção maior que representasse de fato a perda não somente do espaço do qual trabalhava, mas sim do simbólico, como o que esse espaço significava e toda a história. Achei que existiu falha nessa parte da direção, para dar mais ênfase e emoção à cena.

    Essa é a Fuu, protagonista e principal motor da série
    Se o inicio não foi tão convincente, é na metade e no final do anime que percebemos a riqueza de Samurai champloo. Desde à construção de personagens, o bom uso da trilha sonora (r&b/hip hop), a boa animação nas cenas de ação até as boas coreografias nas lutas. 

    Com relação aos personagens, a Fuu é uma personagem que apesar de não ser forte no sentido de um confronto físico, ela tem uma empatia e sensibilidade imensurável ao enxergar o próximo e seu real problema. Isso é tratado de uma forma sutil, você percebe o tanto que ela se preocupa com os parceiros e com os outros personagens da side-story. Portanto, a acho importante por dar um charme à obra. Já o Mugen é o típico personagem desleixado e um tanto espalhafatoso, todavia o mesmo cativa pela irreverência. Com o tempo, o passado de Mugen é revelado, como do porque ele abandonou o bando do qual participava e os diversos conflitos que o mesmo tinha dentro da quadrilha. E o Jin talvez seja o personagem mais misterioso desse trio, desde a sua relação com seu mestre de luta de espadas até o seu romance com uma moça que fora vendida para o prostibulo e que foi um dos episódios mais tocantes da obra.

    Gin e Mugen
    As side stories são outras marcas de Champloo (como esperado do diretor de Bebop e semelhante à Michiko to Hatchin) e algumas foram mais marcantes e outras nem tanto, mas ainda assim a maioria cumpriu o básico do que se propôs. O episódio 17 Lullabies of the Lost (Verse 2) ou Canção Perdida (Parte 2) retrata um fugitivo por matar sua esposa e filho e um oficial do governo, além de focar na luta entre Jin e o Yukimaru (amigo de Jin e seu admirador) a caminho de Nagasaki. O episódio termina de forma simbólica, todavia o que mais me chamou atenção foi ending  "YOU" de kazami usada com maestria, a letra da música teve um importante papel, pois de forma indireta coloca em palavras o sentimento da Fuu, como o amor, mas um amor sincero e puro sendo demonstrado mais uma vez de uma forma diferente e singular. O ritmo r&b combinou muito bem com esse episódio, já que é o gênero flerta com o hip hop, possuindo uma batida bem semelhante e um groove caracterizado com linhas de baixo e acompanhada com uma voz melódica

    Não escreverei sobre todos os episódios, pois ficará extenso, porém espere umas criticas em relação ao americanismo e a supremacia dos EUA em um dos episódios mais engraçados da série, o Baseball Blues. Ou então referencias à cerca dos Beatles, da segunda guerra mundial, entre outras. A interpretação fica a cargo de você.

    Baseball Blues, um dos episódios mais satíricos de Samurai champloo
    Como falado anteriormente, a trilha sonora foi deveras relevante nas cenas chaves e fez com que eu tivesse mais conexão com a obra, também graças a eu me simpatizar com a black music. Estas são as principais canções:

    "Shiki no Uta (四季ノ唄)" de MINMI
     "Who's Theme" de MINMI (ep 12),
    "YOU" de kazami (ep 17),
    "FLY [SMALL CIRCLE OF FRIENDS]" de Tsutchie & fat jon (ep 23) e
    "San Francisco" de MIDICRONICA (ep 26).

    Todas essas canções tem um estilo musical único que mescla hip hop, r&b e funk

    Uma boa coreografia em Samurai champloo

    A parte técnica de Samurai Champloo tem seu mérito. A animação junto com belas coreografias, ótima direção, trilha sonora e um roteiro diferenciado fez da obra acima da média comparada com alguns outros animes que se limitam muitas vezes, não buscando a originalidade. E nisso, a obra mais uma vez me conquistou por ter coragem de arriscar, e fugir dos padrões  saturados comumente utilizados nos animes de ação.

    Fuu e Sara, uma das personagens femininas que destoa do padrão estabelecido na era edo 

    Algo que me chamou a atenção, apesar de não ser o foco do anime, foi a sociedade infelizmente machista no período Edo. As mulheres, como foi demonstrado em algumas side stories, não tinham poder de decisão em sua maioria e raras foram aquelas que romperam com o patriarcado fortemente marcado na sociedade. Me incomodou, porém, levando em consideração que a obra é histórica, relevei alguns pontos que dificilmente seriam aceitos caso não fosse uma série histórica.

    Conclusão

    O final de Samurai Champloo pode ter decepcionado alguns por ser previsível, mas acho que a obra apenas cumpriu o que se propôs. Desde o inicio o anime havia decidido o rumo da história, portanto não faria sentido reclamar de algo que já fora determinado bem anteriormente. De maneira geral, foi uma ótima experiencia em ter acompanhado a série e o antigo estúdio Manglobe fez um ótimo trabalho, repetido futuramente com Michiko to Hatchin, trazendo aos telespectadores o sincretismo cultural, a visão do Japão a cerca dos outros países e que é possível unirmos duas coisas que a principio são totalmente diferentes, mas quando combinadas geram uma força incrível, porém suave e sutil demonstrando beleza desse fruto.



    Animação: 8,0
    Direção: 8,5
    Roteiro: 7,5
    Trilha sonora: 9,5
    Entretenimento: 8,5
    Nota final: 9,0 (excelente)